Eu tinha um tio que nesta época, récem chegado de Registro, onde tinha um armazém, abriu uma garagem de automóveis em São Paulo, no Jabaquara. Esse tio Ilzo era um barato, falava mais que a boca, e, como negociante de carro, tinha uma lábia terrível.E sempre de bom humor e sorrindo.
E eu ia para São Paulo justamente para comprar um automóvel da garagem Ilzo Veículos, e depois de feito o negócio ia descer até Santos, para experimentar o carro e visitar minha tia Maria que morava em Saõ Vicente, junto com minha tia Maria Angela, ambas irmãs do meu tio e da minha mãe.Elas moravam na rua Marques de São Vicente, perto da biquinha, ao lado da praia Gonzaguinha.
Eu e o nene fomos para São Paulo de ônibus, e lá chegando fomos para a garagem do tio Ilzo pra concretizar o negócio com o carro.Lá chegando, eu precisava ver o que eu poderia comprar, pois tinha uma certa quantia e era isso que eu poderia gastar.Olha aqui, olha lá, e um carrinho que dava pra mim comprar era um fusca ano 62, até que bonitinho e parecia em ordem(só na aparencia).
Experimentei o carro por ali mesmo nas redondezas da garagem, fiquei todo animado, quatro pneus "novinhos", feito o negócio, já umas 17:00 hs, pegamos a saída rumo `Santos, por Diadema, pois meu tio falou que do lugar onde estávamos, era mais fácil sair por ali: um lugar que eu não conhecia bulufas e nunca tinha passado por ali.
Anda que anda, o carro dando umas engasgadas, eu preocupado, já anoitecendo, aquele movimento que eu nunca tinha visto, até que enfim, depois de perguntar varias vezes, achamos a saída para Santos por Diadema.
E o nene todo alegre, tirando um sarro em mim por causa da minha preocupação, e nesta época o nene era menor ainda, tinha 17 anos.
Quando passávamos por dentro de Diadema rumo à Anchieta, de repente uma roda me ultrapassou pela direita, e qual a minha surpresa?A roda dianteira direita saiu com campana e tudo e voi rodando até bater numa mureta, e o carro, quando eu pus o pé no freio, ja arrastou pelo alfalto saindo aquele monte de faíscas,
Ja era noite, estava longe da garagem do tio Ilzo, e então fui me informar aonde tinha uma oficina mecanica ali perto,Achei uma padaria e perguntei ao senhor do caixa, que era o dono, sobre a oficina e contei o acontecido.Este senhor, seu Mario, foi muito gentil, e me levou numa oficina ali perto.Deixei o carro e voltamos pra padaria com ele, pois ele falou que neste horario ali era um lugar super perigoso.Cuidou da gente como se fôssemos filhos dele: tomamos um lanche, nos fez um mapa para seguirmos sem erro para a Anchieta, e lá ficamos até o carro ficar pronto.Quando o mecanico chegou, ele fez questão de ficar ao nosso lado até acertarmos o valor combinado. esse seu Mario, que Deus o proteja sempre...
E fomos descer a serra, eu já meio sem humor, mas o nene enchendo o saco de tão feliz...
Chegamos em São Vicente já meio tarde e fomos direto pra casa da minha tia,e na sequência, cama!
No dia seguinte, já refeito do susto e do desprazer da noite passada, levantamos, conversamos com minhas tias, contei a história, que elas riram muito, e fomos pra praia.Passamos um dia calmo, passeando pelas praias, e o carribho "aparentava" estar firme.
Á noite fomos a um bar na av. beira-mar, e tomamos umas geladas, o que o nene não tinha o hábito, tomava um copo ou outro em araraquara, bem devagar na frente do seu Prioli.Ele ja estava bastante alegre e eu bastante preocupado com o jeitão dele, já falando até meio enrolado.Vamos embora que você não stá bem, falei pro nene.Ele não queria ir de jeito nenhum, mas aí eu fiquei meio bravo e o arrastei embora.
Minhas tias moravam num sobrado perto do mercado municipal, perto da padaria São Vicente.
Esta casa não tinha garagem, mas tinha um ruela encostada à casa, praticamente encostada no jardim, tanto é que da janela do quarto em que eu ficava, eu via o carro.Pois é, era sobrado e tinha uma escaca pra subir...Aí começou o trabalho que o nene deu: subia um degrau, descia dois.E a inha tia Maria Angela, empurrando e me ajudando a equilibrar o nene.Ai minha tia Maria disse que ele não poderia deitar na situação que ele se encontrava, que seria necessário tomar um banho frio antes,E lá vou eu levar este rapaizinho pro banheiro tomar banho: ele só dava risada e falava besteira.Foi um Deus nos acuda.
Banho tomado, mais calmo, fomos dormir.
Dia seguinte, levanta, toma o café, fazemnos piada do dia anterior, contamos o trabalho que ele nos deu, e vamos passear.
Tô subindo pra ilha Porchat, quando de repente o fusca começa cheirar queimado e...para no meio da rua!Caramba,lá vou eu ver o que aconteceu. Naquele tempo não era alternador, era gerador, carro de seis volts.Tinha torrado tudo, até a fiação.La vou eu, atras de eletricista.Ainda bem que minha tia conhecia um ali por perto.Foram buscar o fusca com uma variant toda espalhafatosa, cheia de propaganda da auto elétrica.Combinado o serviço e o preço, e eu ja gasto um dinheiro que não estava programado, a coisa se complicando...
À noite, o carro pronto, eu falei pro nene e minhas tias que ficaria só mais um dia e iria embora, pois a grana estava ficando escassa.
Dia seguinte, ja refeito da raiva que eu tinha passado como o fuca "bem conservado" vamos pra praia do tombo, que o nene não conhecia, e eu falava muito desse lugar.Passando pela enseada, me fura um pneu...Aí, Jesus...dai-me paciência! E...surpresa!O "automovel" não tinha estepe!Puta merda viu, esse meu tio é foda!
Fomos procurar um borracheiro, que achamos não muito longe dali, e vamos buscar o pneu com uma camionete chevrolet que batia tudo, dava até medo.quando o borracheiro começo a arrumar o pneu, eu falei: que azar, não, um pneu novinho desse e já furando.O borracheiro deeeuuu risada e disse: que novinho nada, esse pneu é riscado,mas é bem velhinho. Cacilda, viu!!!
Depois dessa, nem pra praia do tombo nós fomos.Resolvi ir embora e desfazer o negócio com o tio Ilzo.O nene queria morrer de raiva diante da minha atitude.
Ficamos por ali por perto da casa da minha tia e não peguei mais no carro.Manhã seguinte, levanta, arruma as coisas, nos despedimos, minhas tias riem da gente,e vamos guardar as mochilas no "automovel" para seguirmos pra São Paulo.
Mas, surpresa!!!Quando viro a chave pra dar a partida, começa: nhec, nhec, nhec.É de não se acreditar, mas a bateria tinha arriado.Voltamos no auto elétrico da variant espalhafatosa, conteo o acontecido pro eletricista, ele deu risada, e lá vamos nós dar mais uma voltinha na variant.
Bateria recarregada, vamos embora logo antes que aconteça mais alguma coisa.Tchau ,tchau e lá vamos nós.
Chegando emSão paulo, meu tio já sabia de tudo.Minha tia Maria Angela tinha ligado pra ele e contado toda a história.Ele nem achou ruim de desfazer o negócio, e como o cheque não tinha sido depositado ainda, ficou até mais facil desfazer o negócio.Ele nos levou pra rodoviaria, rindo o tempo todo e tirando um sarro de mim.Dos males, o menor, pois tinha desfeito o negócio.
Até hoje, brinco com o nene: vamos pra Santos de fusquiha?
Essa viagem que ele esperava ser enesquecível, terminou assim, com um final chato, e como ele falava na época:Voce e teu fusca são um tremendo corta barato...
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