segunda-feira, 16 de agosto de 2010

de Itumbiara a Brasilia

Dia primeiro de abril de 1974 eu e o Luizinho Dib saimos de Araraquara para irmos até Brasilia vendendo bijouterias a pronta entrega.Em cada cidade que passávamos vendiamos numa só boutique, era exclusividade.O carro foi lotado de caixas de bijouterias, com gargantilhas, pulseiras, brincos, broches, cinto, colares e a famosa gravatinha que fazíamos, que era o show do momento, e cada caixinha com um unico produto especificado o modelo.Centenas de caixinhas arrumadas em caixas maiores.Porta malas e espaço trazeiro lotado. Nessa época eu tinha um Alfa-Romeo modelo JK, fabricado no Brasil pela FNM(fabrica nacional de motores).Era um carro grande, motor quatro cilindros, 2.000 cc e cambio de 5 marchas.Eu adorava o JK, pela linha, mecanica, estabilidade . Não tinha carro igual na época. Tive ao passar do tempo, até 1978, sete JK's.Este desta viagem era ano 1961, cor Havana metálico, equipado com serv-freio hidrovácuobendix, o mesmo que equipava o Ford F350.
Saímos daqui todo os dois animados, pois seria a primeira vez que iríamos até Brasília. Eu já fazia os est5ados de São Paulo, Minas Gerais e uma parte do Rio de Janeiro.
A gente passava o dia inteiro vendendo nas boutiques das cidades que já tinhamos freguesas, de3 Bebedouro até Prata.Daí pra frente iríamos, em cada cidade, fazer nova frequesia .

E este comércio de bijouterias era gostoso, rendia bem, e aonde íamos fazíamos novas amizades.Era junto, o útil ao agradável.Como vendíamos com excusividade, havia certas boutiques que faziam desfile de modas para lançamento de estações, e as nossas bijouterias estavam presentes.
Mas não tinha parada não.Uma semana produzindo, uma semana vendendo, e, uma vez por mes, dois dias em São Paulo para compra de materiais.Íamos de madrugada para São Paulo, às oito horas já estávamos na 25 de Março, ladeira Porto Geral, e fazíamos compras em várias lojas.
Depois de mais um dia, tocamos até Itumbiara, já no estado de Goiás.Dormimos, levantamos, o sagrado cafézinho da manhã que não pode faltar,e la vamos para a rua.Fizemos uma nova freguesa e tocamos o barco pra frente.Próxima parada: Goiatuba. Andamos pela cidade, pesquisando as lojas e boutiques, fizemos negócio numa única boutique da cidade, e na hora da nova freguesa me pagar, ela me deu um cheque de Itumbiara.Como eu pretendia voltar por outro caminho para Araraquara, eu resolvi voltar até Itumbiara para descontar o cheque.Como naquele tempo os bancos fechavam para o almoço em Goiás, eu andei meio rapidinho para dar tempo de fazer esta operação antes do almoço.Era o dia quatro de abril .Ao
chegar no trevo da BR-153, entrei pela av. Afonso Pena em sentido ao centro, perguntei aonde era a Caixa Economica Federal e fui a procurar a rua Major Rogério, onde ficava a Caixa.Mas, ainda na av. Afonso Pena estava na minha frente um Ford F600 e veio a frear inesperadamente, e eu batia a frente do meu carro na trazeira do caminhão, o que em consequência, resultou sérios danos mecanicos e materiais no meu veículo. Graças a Deus não houve vítimas.Caixas de bijouterias abriram e esparramaram pra todo lugar dentro do veículo.Até no painel.
Bom, desço, discuto um pouco, mas não tem solução, pois bati na traseira, eu estava errado e bla,bla, bla...Aí eu disse que ia chamar a polícia para fazer um B.O., pois mesmo o carro estando danificado, eu ainda assim iria até Brasília.Aí fui informado que a polícia estava sem viatura, pois a única que tinha estava metralhada em frente da delegacia.E era verdade.Estava mesmo.Aí o motorista do caminhão me deixou ao lado da delegacia, e o Luizinho ficou no carro tomando conta, pois seria necessário fazer uns reparos noJK antes de prosseguirmos viagem.
Na delegacia, fui atendido pelo escrivão de polícia, Lasaro Antonio Carlos e, posteriormente pelo delegado Bel. Manoel José Bonfim. Contei todo o ocorrido, elaboraram o B.O. e solicitei uma cópia, pois seria necessário para continuar a viagem.(Tenho o B.O. até hoje).
Quando saí da delegacia, ainda fiquei olhando o Jeep Willys, preto e branco, intyeirinho furado de balas, com as quatro rodas no chão, praticamente sem pneus, todos rachados.Parecia filme de bang-bang.
Voltei para o local do fato, e aí fui ver o que era necessário fazer para prosseguirmos.O para-lamas tinha curvado, sem quebrar o farol, mas deixando-o para cima, isto é, o foco iluminava océu. O capô do motos, tinha ficado que nem uma flecha, pontiagudo.Subimos em cima do capô e pulávamos em cima para ele ir abaixando.Até que ficou bom. e tocamos o bonde.
Daí fomos direto para Aparedida de Goiania.Passamos pela cidade, fizemos uma freguesa e zarpamos para Goiania.Esta estrada parece um deserto.Não tem(na época não tinha) nenhum posto, só asfalto, asfalto, asfalto.E vamos conversando sobra a batida, quando de repente um estalo seco e um corte na aceleração me surprendeu.Meu Deus, neste fim de mundo me quebra o cabo do acelerados.Cacilda, precio ficar quieto para poder pensar o que fazer, à essa altura, nesse lugar que parece um deserto.Senti numa pedra, fiquei olhando para o veículo, tentenado achar uma solução.E o Luizinho dentro do carro querendo achar uma estação de radio, quando falou: Pô, aqui nem a antena resolve, não pega nada!Eureka! Antena! a antena era por gomos, uma encaixando na outra, como é até hoje, e a ultima parte de cima é mais fina e tem na ponta um pequeno chapéu, que mais parece um quebra galho.Qubrei um pedaço da antena, enfiei este pedaço virado de ponta cabeça, de forma que o quebra galho ficasse no orifício onde ficava a ponta do cabo de acelerador.T0do contente e satisfeito, ainda ouvi um elogio do Luizinho: Nada para o Paulinho, nem o caminhão nem um cabo de acelerador.E toco pra goianis.Aliás, que belíssima cidade.Uma vida noturna alegre, movimentada,agitada.Muitas mulheres bonitas.À noite, depois de um bom banho e uma boa comida, fomos dar uma volta.Lá todo mundo para o carro a 45 graus.É super interessante, eu não tinha visto isto até então.
Um povo super simpático.De manhã, após uma boa noite de sono, fomos trabalhar, e logo na sequência, Brasilia, aqui vamos nós!
Parece que nestes dois últimos dias a bruxa estava solta.Mal entrei em Brasilia, me informei um lugar para pernoitar, um hotel razoável, e vou andando, um transito estranho, e quando reparo estamos na famosa W3.Cruzes!Que loucura!E, de repente, eis que surge uma viatura atras de mim ligando a sirene alternadamente.Mandou-nos parar.Olharam o carro, já começaram a inventar moda, dizendo que eu não podia trafegar com o veículo naquele estado.Mostrei o B.O. mas o seu policial não deu mole não.
por favor, me acompanhem até a delegacia.E lá vamos nós seguindo a viatura.As luzes voltaram a brilhar!Estamos passando por um jardim, onde um rapaizinho estava andando com uma moto em cima da grama, e quando avistou os policiais fugiu rapidinho, e a viatura foi atras dele.Sumi, evaporei, desapareci, escafedi-me!
Ficamos em Brasilia dois dias, como não ia mais voltar pra cá, vendi em varias boutiques.Passeamos bastante, tudo a pé e de taxi, por que o carro agora, só na hora de zarparmos embora.
Apesar dos contra tempos, foi uma baita viagem cheia de aventuras, do começo ao fim.
Nunca mais voltei à Brasilia, mas qualquer hora eu apareço de novo!

















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