Eu era até o ano de 1974, simplesmente o Paulinho, que adorava carro e moto.Em 1965, eu tinha uma Leonette 50cc, duas marchas, cambio na manupla esquerda, que eu tinha herdado do meu irmão Renato, que ficou com ela por um ano, mais ou menos.Mas ainda era nova.Só que eu depelei a Leonette, arranquei os paralamas, farol, coloquei numeros na frente e fui participar de uma corrida que teve na Alameda Paulista em 65.Tempo dos Faito, Salerninho, Penha, Vitórinho Barbugli,Luzia,Tom e Manolo, e mais outros "doidos".A Alameda Paulista só tinha a própria Alameda asfaltada, pra cima sentido Av. estrada de Ferro era tudo terra. Ao lado do balão da Av. Octavio de Arruda Campos, ali tinha um quarteirão de casas germinadas, todas iguais, onde morava O Biju, que hoje adestra cachorro aqui na cidade, e está sempre no bar do Zinho da rua cinco, ao lado da praça das Bandeiras.Nesta corrida tinha de tudo.Leonette, Mondial, Ital jet, Zundapp,Zanella, as lambretas L.I., area que o Manolo dominava.Época barulhenta e gostosa, porque velocidade não tinha que nem as maquinas de hoje.
Daí até o ano de 74, era carro e moto as minhas paixões.E eu ja tinha tanto tempo em cima de uma moto, que nem urubu de voo, que eu ja era craque em estrapolias em cima de duas rodas.
Neste ano de 74 era a época das Honda cb's, 50, 125, 350 , 500 e 750. A cidade estava bem representada com as Honda, e aq concessionaria era na rua Um, esquina da Barroso, onde o Mané, que hoje está na Itália, mandava e desmandava.
E eu andava de pé em cima do banco, deitado, de costas, e adorava fazer minhas artes.Neste ano de 1974, meus pais iam fazer 30 anos de casados, caía num sábado, festa organizada com convidados, e eu, na sexta, dia 6, à tarde, andando em pé na cinquentinha do Cuca Racy, em volta do ginasio de esportes, dava a volta e pegava só um quarteirãozinho na contra mão.Aí foi que aconteceu a "porrada'.Eu de pé no banco da moto, e após fazer a curva vi que vinha vindo um carro, e eu fazendo pêndulo mais para a direita, bati numa arvore "parada". Desgranhenta de árvore!Tinha meio metro de tronco reto, e daí pra cima era torta em sentido para a rua.Caí desacordado, perna virada para traz, escoriações em todo o corpo, fratura no braço esquerdo, dente quebrado, uma beleza!
eu lá jogado no chão (naquele tempo não tinha resgate, ainda era a ambulancia do SAMDU)e passava por lá neste momento um amigo meu, o Chico lôco. Ele me levou para o hospital e foi avisar minha família.Quando acordei, me encontrei todinho engessado.O femur tinha quebrado em tres lugares, e o Dr. Luiz Gonzaga tinha engessado a perna inteira para que as placas e os pinos de platina não saíssem do lugar, e colocado um cabo de vassoura no gesso, na altura da cintura, para que eu não me virasse na hora de dormir.Bração engessado com uma tala afixada ao corpo, pois tinha colocado platina no cotovelo.
Nesta época eu trabalhava com venda de bijouterias, e viajava uma semana sim, outra não. O Marcão, de Américo trabalhava comigo, e foi, principalmente nesta época, meu braço direito.Ele ficou viajando pra mim durante tres meses.
Dei um trabalho danado pra minha mãe e minha irmã Maura. e para meu pai, é claro.Colocaram a minha cama na sala, que dava para a frente da rua, o jardim e o parque infantil. tomava "banho" deitado, fazi as necessidades na "comadre"(uma éspecie de pinico que se coloca em baixo da pessoa deitada)e me alimentava nessa posição, sem dizer que o gesso provocava uma coceira infernal, e eu me coçava com uma régua de costura que minha mãe tinha.
E tinha o nene Priolli, que o pai dele tinha um maverick duas portas, branco com vinil preto na capota, que tinha uma buzina fiamm tres cornetas, e ele passava em frente de casa todo dia buzinando para dar bom dia.Que vontade de levantar e ir pra rua...
Depois veio o tempo de andar de muletas.No começo, padeci um pouco, mas depois peguei o jeito.E eu não perdia o humor por causa da situação não, pelo contário, fazia piada de tudo.A muleta tinha duas borrachas para não escorregar no chão, e eu coloquei duas meias nela , e a noite, tirava os "sapatinhos" e as meias, punha embaixo da cama junto com os meus sapatos e meias.
E todo mundo sabia uque eu gostava de "pegas" de carro e moto.O Luizinho Dib tinha um fusca 1.600, dupla carburação, que era um capetinha.E, numa certa noite apareceu um fusca , aquele que tinha uma capa preta sobre o capo trazeiro, o 1.600S. Foram me buscar lá em casa, `noite, para pilotar o carro do Dib na fonte, Bento de Abreu.E eu fui, e como e4stava de muletas, o Luiz e o Marcão abriram a porta do lado direito para eu entrar, pois a perna esquerda estava imóvel ainda, muletas no banco de traz, e lá vamos nós.subimo e descemos a Bento e eu na frente.Aí paramos antes do balão da dois,, onde ficava a estatua do Romulo Lupo (nesse tempo tinha um balão nesse cruzamenro) e foi só comentarios: é o lemão do acidente, e de muletas!. Foi um show.
Quando voltamos pra casa, colocaram o carro na garagem, pois meus pais tinham ido ao cinema com o carro deles, e na porta da sala, na ceramica do terraço, tinha um capacho (um tipo de tapete p/ limpar os pés)e quando eu fui entrar a muleta escorregou no capacho e fui ao chao, eu e muleta.Aquela correria, minhas irmão assustadas, o Marcão e o Luis me acudindo, super preocupados.Mas levantei, e não aconteceu nadinha, ainda bem!
Fiquei entre o gesso e a muleta, seis meses nessa vida.
Aí nasceu o cyborg.O homem de seis milhões de dolares.(por causa da platina, que na época era cara e não era feito pelo INSS).
E o tempo passando, e eu em cima de duas e quatro rodas.Um belo dia, dois de fevereiro de 94, eu fui pra Ribeirão Preto buscar umas peças de moto, pois nesta época eu tinha montado uma oficina de motos, a S.O.S. Motos, e a Cristina, amiga minha que trabalha no forum, ia viajar para Rio Preto no dia seguinte, e o retificador de bateria da Tenére dela estava pifado, e precisava pegar também uma ferramente na Lopes & Carvalho e caixas de velas NGK.
Na volta, entrei por Américo, e próximo ao balão de Villares, fomos fechados por uma camionete alaranjada, e caimos ao solo.Nós estavamos com uma CB 400 prata, e ela me arrastou 60 mts. no aslfalto.O Haroldo, que estava na garupa, caiu praticamente em pé, nada sofrendo.Eu fui socorrido pelo sr. Luiz Caetano Romanias, que passava pelo local, e posteriormente pelo resgate de araraquara.
Esse Haroldo trabalhava comigo na oficina, primo do Renatinho de Araujo, que também trabalhava pra mim e hoje tem a loja Renato Motos na av 7 de Setembro, quase em frente a Adega do Daniel.
O Elvio, conhecido por Sombra, tambem trabalhava lá comigo, e ele é quem foi buscar a moto no dia seguinte em Américo na Delpol.
Como o acidente teve vitima com ferimentos graves, o Dr. Wilson Batista Reinato, delegado de polícia de Américo, solicitou um laudo de exame de corpo de delito em mim.
O laudo foi feito pelo Dr. Nicolino Lia Junior e Dr. Carlos Fernando camargo que relataram que a vitima se encontra na santa casa de Araraquara, na U.T.I., em estado grave, e ao exame precedido observamos o seguinte:internado na U.T.I. com fraturas multiplas dos ossos da face mais hematoma palpebral a esquerda , mais escoriações multiplas na face, mais cicatriz corto contusa suturada na região supra orbitária esquerda, mais fratura de arcos costais a esquerda, mais escoriações nos contornos anteriores de ambos os joelhos.Depois as perguntas do laudo:
Há ofensa à integridade corporal ou à saúde do examinado?
Resultará incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias ou perigo de vida?
Resultará incapacidade permanente para o trabalho ou enfermidade incurável, ou perda ou inutilização de membro, sentido ou função, ou deformidade permanente?
As respostas para foram:
Conculsão:Do exposto e observado concluímos: depende de exame complementar munido de reletótio médico.
Resposta ao quesitos: Sim e dependem de exame complementar, caso sobreviva.(07/02/94)
Eu tenho xerox do B.O. e do laudo de exame de corpo de delito do instituto Médico-Legal, da secretaria da Segurança Pública.
quando acordei no bospital, depois de seis dias, tava de novo todo enrolada em gases, com gesso, e a familia no quarto.Olhei assustado, falei oi pra todos e perguntei:Ué, que aconteceu?Quase apanhei.
Os médicos e dentistas Drs. Normeu Lima Junior, Eduardo Sanches Gonçales e Rberto Barbeiro, buco-maxilo-facial que fizeram todo o "serviço" de recuperação na face até hoje brincam comigo:Como está, cyborg dois?
Nesta etapa a recuperação demorou mais tempo.O Dr. roberto Barbeiro me falou que eu não podia mais dar
'trombadas", pois teria que ir a uma funilaria, pois o rosto ficou tudo de titãnio.
Passado aí uns nove meses, eu já estava andando e indo para a oficina, agora só de carro, por que moto nunca mais, meu irmão.Mas o fogo não passou não.Um sabado, fomos em uma festa em um bar noturno em Bocaina, eu, o sobra, o Renatinho, Haroldo, Edinho, outro mecanico que trabalhava conosco, e mais um grupo musical aqui de araraquara. Fomos em tres carros mais minha CB 400.Lá pelas tantas, já tinhamos tomado algumas tantas, inventaram que eu era piloto de testes da GM.Eu estava com uma Marajó branca, com escapamento esportivo e uma rodas muito loucas, volante especial, conta-giros no painel, era um barato.Olha de madrugada, uma viatura com dois policiais amigos dos donos do bar fechando uma rua para uma demonstraçõao de cavalo de pau, de frente e de ré.E a CB com o sombra, arrancando e acompanhando a marajó.Uma só loucura. Quando a marajó finalizava o cavalo de pau, o sombra vinha brecando com a mmoto em L e parava encostado no parachoque.Era um show.
Aí nasceu o segundo cyborg!